Wednesday, September 03, 2008

Ultimos dias sem posts, "Brasileiro" falso,colega de patrocínio

Estes dias não andei postando, então vamos tentar atualizar os ocorridos. Tem uns dois ou tres dias que eu tou preparando as coisas que eu trouxe do Brasil (diploma e historico escolar em ingles, certificados de tempo de serviço) e etc para pedir o reconhecimento da minha profissão junto à ACS (Australia Computer Society), equivalente da nossa SBC (Sociedade Brasileira de Computação), só que acho que no Brasil você não precisa de ter reconhecimento da profissão de TI, só formar e pronto (ou às vezes nem isso, se bem que aqui tb tem uma parte de reconhecimento para quem já atua na profissão há muito tempo). Isso seria para entrar na lista do MODL (ocupação em alta demanda) e facilitar para obter um bom part time job, já com a profissão reconhecida. Também um dos primeiros application que eu fiz para um job perguntou se eu precisava de sponsorship que é mais ou menos assim, você está na lista dos profissionais que pediram o PR (Permanent Resident) visa e a empresa vai lá e te pega da lista. Embora minha idéia não seja virar um residente aqui já me avisaram bastante que para um bom emprego esse visto é necessário, o próprio McBride acha que tem sentido, porque ele é neo-zelandes, então quando veio para cá trabalhar não costumavam dar trabalho para ele, porque a noção é que todo kiwi vinha para cá e trabalhava só o suficiente para imigrar para o U.K. já que o pagamento aqui era melhor que na NZ. Bem, após essa digressão, voltemos à vaca fria, que é a ACS. Juntei os documentos e li todo os procedimentos no site para o Skills Assessment e é claro surgiu uma meia dúzia de dúvidas sobre os procedimentos, já que eles descrevem o procedimento "mundo ideal", com todo os docs do jeitinho que querem, e eu é claro tinha docs distintos (o documento da UFLA, por ex, tinha vindo por e-mail escaneado e eu não tenho um "original") e tudo eu consegui dar jeito para ser reconhecido junto à UTS: International (claro que o McBride que é muito despachado me ajudou tb), que faz demandas parecidas para a matrícula de um estudante estrangeiro. Juntei as questões e mandei em um e-mail. O retorno foi um "canned mail" com uma pá de respostas padrão, que obviamente já estavam no site e não ajudaram em nada. Fui atrás do McBride para ver se ele tinha alguem na ACS que pudesse responder estas coisas para mim, e ele me passou o telefone de uma outra pessoa lá. Isso foi ontem, e hoje de manhã eu cheguei, fui traduzir as minhas "employer references", que tem que ter a versão traduzida das experiências de trabalho, e ainda parece que tem que ser algo de "tradução certificada". De qq forma, traduzi e agendei um horário com "justice of the peace", que eu não sei o que seria no Brasil, algo tipo uma pessoa que tem poder de notário, para certificar documentos, testemunhar declarações. E é um profissional qualquer, que tem sua profissão, mas faz essa função além. Agendei para amanhã de manhã às 10 hs com o Justice of the peace que a secretária do dept de Software Engineering me passou, ele é da UTS mesmo, Building 2, colado no meu. Liguei de tarde para o telefone que o McBride havia me passado, a moça foi gentil, mas falou que só de 09:30 até as 13:00 que tem alguém do departamento de reconhecimento de habilidades para conversar, vou ver se consigo ligar cedo amanhã antes do meu appointment com o justice of the peace , e espero que dê tempo de a pessoa me orientar, eu fazer o que for preciso e levar para justice of the peace certificar. E essa brincadeira ainda vai levar 400 doletas, pois é, você que achava que associação profissional era exploradora só no Brasil (CREA, CRM, OAB), pode saber que aqui não é diferente.

Ontem teve a aula de ITRM (IT Research Methods), antes da aula o McBride me apresentou para o Philip G. Bailey, que é da EDS (a empresa que tá patrocinando o meu estudo) e ele ficou mais de hora me falando da pesquisa dele. Ele tá há um ano no master by research e o McBride quer mudar ele para o doutorado assim que ele fizer o "Assessment" do curso, que é tipo o nosso Qualify no Brasil, que um comitê avalia o que o estudante fez até o momento, depois de 1 ano de curso. Depois fomos para a aula de ITRM, foi muito estranha, um professor do leste europeu cujo nome deve ter umas 20 letras, sendo só uma ou 2 vogais. Era sobre Research by Design, mas passou quase a aula toda ele apresentando a pesquisa que ele estava fazendo, sem necessariamente relacionar com o tópico da aula. But, whatever, professor maluco é o que não falta em Uni em qq lugar do mundo né?

Eu acho que não comentei ainda, mas a UTS é cheia de asiático, na minha sala ficam os "terroristas", são de países muçulmanos, Malaysia, Jordan, e um Vietnamita. E na sala do lado só tem chineses, e já contei a história do Ruperto querendo achar os brasileiros da UTS. Então a hora que fui escovar o dente de tarde (aliás, o almoço foi de novo comida oriental, noodles de arroz com McBride e para variar não dei conta de comer tudo e toma doggie bag, não sei como chinês não engorda servindo essas porções imensas) eu vi um rapaz sentado/deitado no sofá do outro lado da "ponte". com toda a cara e fuça de brasileiro. Cabelo preto, liso, pele meio morena bem clara, traços mais para caucasianos, e fiquei intrigado, se o bicho era ou não brazuca. Passei para o meu lado da ponte e logo depois quando tava indo para outro canto ele estava vindo para o lado de cá da ponte e eu fiquei olhando para a fuça dele, ver se ele falava algo (se falasse em Portugues eu ia ter certeza), mas veio caladinho e na hora que chegou aqui do outro lado falou "Hello" comigo e eu respondi "Hello", então ele perguntou "Você ia falar alguma coisa?" (claro né? eu tava prestando atenção para ver se ele "se entregava") e eu respondi "Na realidade não, eu achei que vc fosse brasileiro e prestei atenção", Ele "Ah, eu sou indiano, de New Delhi". É o que vivo falando, os indianos, quando são menos "encardidos" tem toda a cara de brasileiros. Esse foi exemplo vivo da tese. Muito bonzinho o rapaz, um nome que fala algo do tipo "Yogash" mas escreve de um outro jeito bem diferente. Deixei meu cartãozinho com ele, vamos ver se o rapaz escreve. Ele saiu falando que ia tentar enganar alguém falando que era brasileiro, vamos ve se cola.

Hoje eu vim um pouco mais cedo para casa, hoje amanheceu um dia horroroso, 10 graus pela manhã, um vento frio e cortante, e segunda e terça foram dias lindos, quentes (fez 20 graus na hora do almoco ontem) e eu feliz que tinha acabado a tristeza do frio e hoje esse gelo. Fiquei ruim, tipo com um pouco de sinusite acho que da friagem e vim tipo 16:30 para casa ver se me esquentava um pouco.

3 comments:

Moniquinha said...

Nossa, dá até inveja do seu friozinho aí.
Aqui o sol está totalmente impiedoso, aquela bola amarela malvada. Meu braço esquerdo chega está vermelho, de dirigir com o sol em cima.

Karla said...

Será que não tem a ver com o nosso juiz de paz?
É chute, mas deve ter a ver..

Ranerio said...

dra Karla,

Acho que era para ser , mas olha o que diz a Wikipedia. Segundo a Constituição Brasileira, os estados devem criar uma justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com mandato de quatro anos e competência para, na forma da lei, celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras previstas na legislação. Na prática, nunca houve tal eleição e tramita na Câmara dos Deputados uma proposta de Emenda Constitucional que propõe que os juízes de paz sejam admitidos por concurso público.

Parece que nunca houve a designação da "justiça de paz"